Painéis da Graduação

A atividade Painéis da Graduação é destinada a estudantes de graduação regularmente inscritos(as) no evento e tem como objetivo proporcionar um espaço para apresentação e divulgação de pesquisas e experiências acadêmicas desenvolvidas no âmbito da graduação.

Serão aceitos trabalhos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso, projetos de ensino e extensão, pesquisas desenvolvidas em disciplinas e outras experiências acadêmicas. Serão especialmente bem-vindos trabalhos que estabeleçam diálogos com as temáticas dos mundos do trabalho, embora essa vinculação não constitua requisito obrigatório para a submissão.

Cada proposta poderá ter até três estudantes autores(as), além de um(a) orientador(a).

Os trabalhos serão apresentados presencialmente, por meio de painéis impressos em formato vertical, com dimensões de 90 cm de largura × 120 cm de altura, em data, horário e local definidos na programação do evento.

Prazo para submissão: 11 a 28 de agosto de 2026.

Antes de preencher o formulário, leia atentamente as orientações e confira as informações fornecidas, pois elas serão utilizadas na programação e na emissão dos certificados.

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LOCAL DE APRESENTAÇÃO DE PAINÉIS: Hall principal do prédio Mirante do Rio (pavimento térreo)
DATA: 03 de setembro de 2026
HORÁRIO
: 14h às 16h

 

Resumos dos painéis aprovados

 

 

Altamira em foco: freiras operárias e o “progresso” na Transamazônica

Discente: Rian Charllys Lourenço Ferreira
Licenciatura em História
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – Campus Altamira
Oriantadora: Flavia Ribeiro Veras (IFPA-Campus Altamira)

Resumo: O estudo percorre a fragilidade social vivida pela população da Transamazônica no recorte dos anos 1970, marcada pela exploração de recursos naturais e os projetos desenvolvimentistas da ditadura. Nesse contexto, destaca-se a atuação da Irmã Serafina Cinque, das Adoradoras do Sangue de Cristo (ASC), com o projeto da Casa Divina Providência, voltado ao atendimento de gestantes, crianças e idosos em Altamira – PA. Conforme isso, a pesquisa valoriza a relevância de recuperar a memória de grupos esquecidos pela historiografia, sobretudo mulheres, e suas condições de vida meio ao “progresso” na Transamazônica. Diferente dos trabalhos que privilegiam os padres ou correntes como a Teologia da Libertação, buscou-se analisar a ação de uma irmã e suas contradições frente à teoria social da Igreja, à luz de Thompson (1963). O objetivo foi mapear a biografia da Irmã Serafina, compreender a realidade dos atendidos e refletir sobre a construção da Casa Divina Providência, utilizando de entrevistas semi estruturadas realizadas na pesquisa e no Acervo da Palavra Altamirense, periódicos digitais, livros, fotografias e documentos do acervo da Casa Divina Providência. Os resultados revelam formas de organização classista relacionadas aos conceitos de “classe” e “economia moral” de Thompson, além dos conflitos entre a prática da Irmã Serafina e idealizações da população e da Prelazia do Xingu, os desafios do trabalho de base e a memória heterogênea sobre sua atuação.

Contradições da redemocratização: violência policial em São Luís – MA sob a ótica do jornal pequeno (1983-1987)

Discente: Gustavo dos Santos Rocha
História – licenciatura
Universidade Estadual do Maranhão
Orientador: Weberth Serejo Belo (UEMA)

Resumo: O processo de abertura política conservadora foi iniciado durante o Governo de Ernesto Geisel, fundamentalmente com a revogação dos atos institucionais a partir da aprovação da emenda Constitucional de nº 11, de 1978 e com a aprovação da Lei nº 6683, de 1979, a Lei da Anistia. Entretanto, considera-se que no estado do Maranhão, este “fim” da repressão não cessou, como o aumento das periferias de São Luís ocasionada pela intensa imigração da população de outros municípios do estado, a violência policial nas áreas suburbanas não acabou. Este trabalho investiga justamente as violências realizada pela polícia militar do Maranhão nas periferias de São Luís no período de redemocratização da política brasileira, especificamente nos anos de 1984 a 1986, buscando compreender as dinâmicas dessas arbitrariedades da força policial na capital maranhense e reconhecer a imprensa maranhense como promotora de uma concepção degradante dos bairros periféricos.

“Instrumento da mandria do moleque”: a relação entre trabalho e lazer no cotidiano infantil (1913-1920)

Discente: Leandro Henrique de Amorim de Oliveira
História – Licenciatura
Universidade Federal do Pará
Orientadora: Franciane Gama Lacerda (UFPA)

Resumo: No início do século XX em Belém, o cotidiano das crianças pobres era dominado pelas longas horas de trabalho. Mas não somente, as brincadeiras também faziam parte de sua rotina diária. Tais menores transitavam pelas ruas da capital paraense, que eram seu espaço de labuta e de lazer. Em uma partida de futebol, pendurando-se em um bonde ou correndo atrás de um papagaio, encontravam-se nas ruas para além do trabalho. Entretanto, esses momentos eram malvistos pelas autoridades, que mobilizavam suas ferramentas para inibir tais práticas, consideradas exemplos de vadiagem. Dessa forma, o presente trabalho estuda a relação do trabalho e das brincadeiras no dia a dia dos menores, buscando entender de que forma essas atividades se relacionam com o cotidiano infantil e como se vinculam aos discursos de disciplina da infância em Belém. Utiliza-se como fonte principal o jornal Estado do Pará. Por meio da imprensa pode-se rasterar um discurso repressivo contra as brincadeiras infantis feitas na rua, por considerar esse ambiente hostil e de insalubridade moral, invocando a lei da vadiagem contra essas práticas e enaltecendo o trabalho como formador do indivíduo. Esse estudo resultou em um entendimento de que a disciplinarização dos menores, revelada pelo jornal, sugere um cotidiano de resistência, que, mesmo tendo que passar por uma longa carga horária de trabalho, encontravam nas fugas um momento de lazer e sociabilidade.

Fordlândia (1928–1945): company town, choques e imposições culturais na Amazônia

Discente: Pedro Arthur Dantas da Veiga
Licenciatura em História
Universidade Federal do Pará
Orientador: Adalberto Paz (UFPA)

Resumo: Este trabalho analisa Fordlândia (1928-1945) como company town na Amazônia paraense, com foco nos choques e imposições culturais da Ford Motor Company sobre os trabalhadores do Tapajós. Objetivo: reconstituir, a partir de fontes inéditas, a experiência de trabalhadores brasileiros que a historiografia consolidada, apoiada nos arquivos da própria Ford, tende a tratar como números, não sujeitos. Fontes: crachá CFIB n.º C1015, autenticado pelo Benson Ford Research Center; doze fichas de registro da CFIB do acervo de Cristovam Sena (Santarém); questionário ao historiador local Luiz Magno Almeida Ribeiro; Memorando n.º 006/2026 do Centro de Memória de Belterra; periódicos da Hemeroteca Digital Brasileira (1928-1932); e o corpus de Greg Grandin (2009): relatórios internos da Ford, reminiscências orais do BFRC e documentos diplomáticos dos National Archives. Metodologia: articulam-se E. P. Thompson (disciplina do tempo, economia moral) e Michel-Rolph Trouillot (silêncio arquivístico como dado histórico), seguindo o olhar “”a partir de baixo”” que Adalberto Paz aplicou à ICOMI em Serra do Navio, lendo em conjunto o arquivo institucional americano e os vestígios documentais brasileiros dispersos. Resultados: a ordem fordista abrangia alimentação, tempo, corpo, espaço e identidade, gerando resistência cotidiana. O silêncio anterior a 1934 resulta de dupla operação: apagamento institucional pela Ford e destruição de registros pelos trabalhadores na Revolta da Quebra-Panelas de 1930.

Mercadorias, cotidiano e Trabalho: A Cultura Material de Belém a partir dos Livros de Carregação da Companhia de Comércio (1758)

Discente: Maycom Cristyan Leal de Araujo
Bacharelado em História
Universidade Federal do Pará
Orientador:  Antonio Otaviano Vieira Junior (UFPA)

Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo analisar as carregações de produtos transportados para o Grão Pará e Maranhão em 1758 por meio da Companhia Geral de Comercio, empresa responsável por auxiliar nas trocas comerciais entre as terras portuguesas na América e o restante do mundo. A principal fonte para a analise será os livros de carregações da companhia, documentos que permitem a Coroa registrar detalhadamente as mercadorias embarcadas, controlar o comércio realizado sob seu monopólio e produzir e/ou conservar informações que permitissem à administração conhecer o movimento econômico da empresa. A partir dos resultados parciais do levantamento, pretende-se discutir como a circulação de produtos específicos das principais categorias das carregações, como Têxteis, Utensílios e Artigos Metálicos, exemplificam o cotidiano de Belém por meio dos seus usos e comercialização. Essa iniciativa conversará com discussões da Cultura Material e como a mão de obra escravizada poderia ser usada para extração, refinamento e uso desses itens. Os dados foram arrolados no programa Microsoft Acess, que permitiu pensar uma base de dados de modo a permitir a padronização, o registro e o posterior cruzamento das informações presentes nos documentos. Para isso, os dados foram distribuídos em diferentes grupos de variáveis, de acordo com sua natureza e função na documentação.

Mulheres indígenas e mestiças na Amazônia do século XIX: trabalho, representações e resistências

 

Discente: Ana Julia Soares da Silva
Licenciatura em História
Universidade Federal do Pará
Orientador: Adalberto Paz (UFPA)

Resumo: O presente estudo analisa as representações construídas sobre o trabalho realizado por mulheres indígenas e mestiças na Amazônia oitocentista, especificamente entre os anos de 1840 e 1860, tendo como fonte os relatos de viagem deixados por viajantes europeus como Henry Bates, Robert Avé-Lallemant e Alfred Wallace. Este projeto adota as orientações teóricas da História Social e da história vista de baixo, inserindo-se na História Cultural para discutir as dinâmicas de gênero, etnia e classe no século XIX. Busca-se entender de que maneira essas mulheres foram retratadas por viajantes europeus, cujos olhares eram permeados por preconceitos eurocêntricos, vieses patriarcais e teorias racistas. Longe de figurarem como testemunhas neutras de seu tempo, os viajantes participaram na consolidação de um imaginário estigmatizado sobre os corpos, identidades e saberes das populações racializadas na região norte. No entanto, as próprias fontes históricas revelam o incontestável protagonismo socioeconômico feminino no cenário pós-Cabanagem. Em um contexto de reestruturação da província do Grão-Pará, marcado pela escassez de mão de obra, vigilância estatal e pela criação dos Corpos de Trabalhadores, essas mulheres exerceram papel crucial na esfera doméstica e no comércio fluvial. A pesquisa investiga as táticas de agência, de autonomia e resistência construídas por mulheres indígenas e mestiças, visando contribuir para a consolidação de uma produção historiográfica inclusiva e plural.

Trabalho e ocupação na Vila de Nova Mazagão (1769-1778)

Discente: Allan William Lebrego da Costa
Licenciatura em História
Universidade Federal do Pará
Orientador: Antonio Otaviano Vieira Junior (UFPA)

Resumo: A pesquisa em desenvolvimento propõe estudar o processo migratório da população que habitava Mazagão, uma fortaleza portuguesa estabelecida no litoral do Marrocos, entre os séculos XVI e XVIII, transferida de forma compulsória para a capitania do Grão-Pará. O objetivo desta pesquisa é identificar mudanças no perfil de trabalho e ocupação da população mazaganista na capitania do Grão-Pará, para então refletir os seus efeitos sociais, econômicos e demográficos da imigração e fixação. Para alcançar tal objetivo partiremos da produção e análise de bases de dados no software Microsoft Access das listas nominativas, fontes documentais desses indivíduos, produzidas durante as etapas da imigração. Todas as listas encontram-se disponíveis nos acervos digitais no site do Projeto Resgate. Nesse sentido, a metodologia utilizada conversa diretamente com a microanálise, ao analisar os documentos, valorizando um jogo de escalas em que o processo macrohistórico de ocupação e exploração desenvolvido no reinado de D. José I ganha novos sentidos na redução da perspectiva analítica, na medida em que se trabalha os dados desses moradores.

 

Os textos dos resumos são de responsabilidade de suas autoras e seus autores e foram preservados conforme submetidos à organização do evento.